Um novo (velho) jeito de usar a internet
- Rafael Gomes Alves

- 19 de jan.
- 3 min de leitura

Vivemos em uma era de abundância de informação, mas de escassez de atenção. Recentemente, me peguei em um dilema comum: embora tenha abandonado a maioria das redes sociais, mantendo apenas o YouTube e o LinkedIn, percebi que o "vício" do consumo rápido apenas mudou de endereço. Os Shorts do YouTube tornaram-se o novo campo de batalha pela minha atenção.
Este post é um registro da minha tentativa de resgatar um jeito "velho" de usar a internet. Aquele onde tínhamos um certo controle sobre o nosso consumo de conteúdo, mesmo que mediado por algoritmos que tentavam sequestrar a nossa atenção de qualquer forma.
O Diagnóstico: O Ruído e a Pausa
Minha dieta digital hoje é composta majoritariamente por vídeos, podcasts e notícias. Embora eu me esforce para diversificar com artigos científicos e livros, a conveniência do algoritmo exerce uma força gravitacional poderosa. É esse consumo de mídia desenfreado que tem desviado o meu foco das atividades essenciais para realizar meus objetivos como professor e pesquisador.
Mais do que a perda de tempo, percebi que o conteúdo mediado por algoritmos gera uma preocupação constante com o futuro. Não chega a ser uma ansiedade paralisante, pois entendo que grande parte do que me é apresentado está fora da minha zona de influência. Entretanto, isso cria uma sensação difusa de que o mundo está piorando e de que o futuro é completamente incerto.
Essa reflexão me remeteu ao vídeo The internet is worse than ever - Now what, do canal "Kurzgesagt – In a Nutshell". O vídeo aborda o impacto das redes sociais em nossas vidas, destacando um ponto crucial: as "bolhas" de conteúdo isoladas são cada vez mais raras. Hoje, somos constantemente expostos a assuntos e acontecimentos que confrontam nossa visão de mundo. O problema é que as redes, focadas em engajamento, amplificam opiniões extremas e simplificam divergências complexas em uma narrativa de "nós contra eles". Mesmo encontrando diversidade online, acabamos agrupando opiniões divergentes e rotulando-as como pertencentes "ao inimigo".
A solução que encontrei — inspirada também pelo vídeo — não foi o desconectamento total, mas uma mudança radical no processamento do que recebo. Se consumo algo, isso precisa passar pelo meu crivo crítico e, posteriormente, ser plantado na minha "floresta digital" dentro do Obsidian. Isso traz duas consequências imediatas:
Criticidade: Torno-me progressivamente mais criterioso, verificando informações e tentando compreender a construção e a origem das narrativas.
Retenção: O conhecimento importante não é perdido no fluxo do feed; ele é capturado para construir, pouco a pouco, um entendimento mais robusto sobre diversos assuntos.
Com base nessa nova resolução, pretendo utilizar este blog como ferramenta de estruturação do meu conhecimento e aprimoramento da minha escrita.
O Impacto: De Observador a Jardineiro
Sempre fui um observador silencioso nas comunidades online, preferindo a reflexão interna. No entanto, entendi que para gerar valor real e construir um legado de conhecimento, preciso transitar para um papel mais ativo. Sendo assim, este blog assume dois objetivos principais:
Carreira e Conhecimento: Organizar minhas ideias publicamente para me tornar um profissional melhor.
Legado: Oferecer uma perspectiva única que possa ajudar alguém a resolver um problema ou enxergar o mundo por outro ângulo.
Desta forma, acredito que conseguirei construir meu perfil online e, simultaneamente, cultivar uma comunidade ao meu redor. Não busco necessariamente uma comunidade focada em um único tópico técnico, mas sim um grupo que compartilhe uma perspectiva de vida semelhante. Ainda que conflitos surjam — e eles são saudáveis —, acredito que criar essa "cola" comunitária é fundamental para avaliarmos melhor nossas relações e a qualidade das informações que consumimos.



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